NOTÍCIA VIVA - Com os pés em Curitiba e os olhos no mundo


IN VERSO

IN VERSO

 

Ontem a banda Zirigdun Pfóin demonstrou que existe, sim, vida inteligente na poesia curitibana. Curitiba importa muito produto cultural e não se importa muito com o que de bom se faz aqui. Ainda hoje, os profetas não têm crédito em sua própria terra.

In Verso é o nome do projeto que deu asas às palavras que habitavam apenas livros não muito lidos, em sua grande maioria, editados e vendidos pelos próprios autores. Os poemas foram belamente musicados. Nomes mais conhecidos como Batista de Pilar, Amarildo Anzolin, Carlos Borges Lima (com uma produção densa e constante há tempos) se somaram a outros como Flávio Jacobsen, Juliano Gruss e este que vos escreve, que também já estão na batalha com as musas não é de hoje.

As Livrarias Curitiba estão de parabéns por apoiar e ceder seu espaço para o In Verso. Suas muitas ações culturais, como pocket shows, palestras e exposições são louváveis. Tomara mais empresas sigam este exemplo e apóiem a verdadeira arte curitibana, produzida por artistas que vivem e produzem à margem do fluxo de dinheiro estatal.

Não ficamos devendo nada a nenhuma outra cidade em qualidade poética e musical. O público que lá esteve saiu satisfeito e com cara de "quero mais!". Este projeto pode e merece ganhar mais divulgação na terra dos pinheirais e também ser exportado, pra variar. Dizem que quem faz sucesso aqui, se dá bem em qualquer lugar do mundo. Mas muitos precisam conquistar o mundo antes de convencer Curitiba, vide os muitos atores e atrizes, pra ficar num só ramo da arte. Vamos ver o desenrolar do In Verso, porque tudo indica que algo vai acontecer, agora que o primeiro floco de neve começou a rolar a montanha...



Escrito por Aluísio de Paula às 17h02
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IMAGENS

 

   

   

 



Escrito por Aluísio de Paula às 10h07
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A MÚSICA É BRANCA

A MÚSICA É BRANCA

 

          Não sou especialista em música. Quem dera. Mas tenho algumas fixações. Mozart é uma delas. Fico imaginando como teria sido ouvi-lo tocar, conhecer o homem, ouvir suas histórias, conhecer suas motivações, as paixões, o que o inspirava. Os gênios devem ser pessoas de difícil trato, imagino.

          Estou enganado. Pelo menos no que se refere a outro gênio, considerado por muitos especialistas o maior músico do mundo. Hermeto Pascoal é a antítese de tudo o que se espera de alguém que ultrapassa a barreira do compreensível e de lá nos traz tesouros incalculáveis em forma de sons. Atencioso, compreensivo, generoso, doce, gentil, modesto, pé no chão, se é que se pode atribuir-lhe tal adjetivo. Completamente diferente da maioria dos aspirantes a celebridades em quaisquer áreas.

          Mas, pensando bem, não se poderia esperar outra coisa da música. Arte absoluta, linguagem universal, idioma do espírito, só poderia ser assim. Hermeto é a música em carne e osso. "O silêncio é a melhor coisa do mundo", ele diz encantado, se referindo aos momentos em que pode se entregar ao silêncio e dele forjar as mais surpreendentes imagens harmônicas, as mais estupendas histórias melódicas, seus maviosos poemas rítmicos.

          A música é como uma colcha de crochê, silêncios que separam e unem uma nota à outra, como os vazios ladeados de fio. Sem o silêncio não haveria música, como não haveria tudo sem o nada separando uma e outra parte das coisas. Hermeto consegue emoldurar os silêncios como ninguém. Apresentar outras versões (ou as corretas?) da realidade. Com sua música universal, ele destranca os sentidos, amplia a percepção das pessoas, ensina novas possibilidades sonoras.

 



Escrito por Aluísio de Paula às 15h47
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A MÚSICA É BRANCA - CONTINUAÇÃO

A MÚSICA É BRANCA - CONTINUAÇÃO

 

          Hermeto Pascoal está morando aqui em Curitiba. Para quem não sabia, vou repetir: Hermeto Pascoal está aqui em Curitiba. Ele e sua esposa-parceira-pupila-fã-irmã-mãe-e-filha Aline Morena (não ia esquecer dela, o único instrumento que Hermeto levaria para uma ilha deserta) têm um projeto maravilhoso, o Templo do Som Hermeto Pascoal. O incrível projeto arquitetônico já está pronto e é assinado pelo arquiteto Mário Biselli.

          Será um espaço para o ensino da música, com auditório para espetáculos, salas multimídia com obras do mestre, partituras originais, gravações raras, imagens, um grande acervo com boa parte do que ele já produziu até hoje, e que não é pouco. Um centro de grande relevância social, para discussão da música contemporânea e que aproximará tanto as pessoas que querem aprender a fazer música quanto quem precisa ouvir música de qualidade, que melhora o ser humano, transcende o tempo, e que fica para a posteridade. Mas para se tornar realidade, é preciso que o poder público, a prefeitura ou o governo do estado, se unam a empresas seriamente comprometidas com o bem-estar dos seus clientes e da sociedade em geral. Senão podemos perder a oportunidade de ter aqui um lugar que tanto trará benefícios culturais para os curitibanos quanto atrairá músicos e estudiosos e amantes da música do mundo inteiro, gerando certamente receita para turismo da cidade.

          Tivemos, eu e a radialista  e pianista Cláudia Cândido, o prazer de passar uma tarde inteira com o "mestre campeão" e Aline Morena. O tempo voou. E nesse período ele falou um pouco de tudo, da sua história, da sua família, dos seus amigos, e muito de música. Em outra oportunidade, transcreverei o melhor desse dia mágico.

          Mozart nasceu em Salzburgo, mas anualmente milhares de pessoas viajam também para Viena, para conhecer os lugares onde ele viveu, onde tocou e se consagrou como um dos maiores compositores de todos os tempos. Não fui até lá, mas tive a honra de conhecer, aqui mesmo em Curitiba, Hermeto Pascoal, um dos grandes compositores de todos os tempos, o homem cuja genialidade só não é maior que o próprio coração.

 

 

Sites oficiais:

http://www.hermetopascoalealinemorena.com.br/

http://www.hermetopascoal.com.br/

 



Escrito por Aluísio de Paula às 15h46
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TIRITANDO

 

TIRITANDO

Vão aí umas provas cabais do frio dessa cidade. O frio de fora, quando não mata, não incomoda muito, embora inevitável. O problema é o frio que habita o interior das pessoas. Mas sem generalizar, pois como diz o Millôr: “toda generalização é burra, menos esta.”

 

tiritar

 

{verbete}

Datação
1666 cf. Agiólogo

Acepções
■ verbo
intransitivo
tremer (de frio, medo ou febre)

 

         

         

         

    



Escrito por Aluísio de Paula às 12h50
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pondere

pondere

 

                      serei rápido: não tenha pressa!

não se desespere para saber todas as notícias

poquíssimas têm real relevância pra você

se concentre no que realmente importa

como o quanto a sua família ama você

ou se a velhinha no asilo pode estar

precisando de um ouvinte atento

no mais, nem esquente se não

lembrou de acessar o blog ontem

a notícia mais importante você

já sabe: ainda estamos vivos...

 

ps: descobri que suzana está de atestado

deve voltar ao trabalho amanhã



Escrito por Aluísio de Paula às 15h27
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Mais um filhote

Mais um filhote

O filhote de sabiá canta triste. Não é um canto, é um lamento, um grito desesperado. Exilado do ninho, não sabe o que fazer. Quer a mãe, quer abrigo e não um curioso olhando com um celular-câmera e nenhuma ação. O tempo me grita, a manhã já vai longe, o sol já bem alto, o capitalismo não pode esperar. Saio contrariado, o que mais posso fazer? Acolher o sabiá, virar seu tutor, procurar-lhe o ninho, levá-lo à sociedade protetora dos sabiás? Ou ele já está pronto para a vida? Deixo a responsabilidade com o vizinho ou algum gato famélico. E penso em quantos "sabiás sem asas" perdidos pelas ruas, pedindo esmolas, cheirando solvente, fumando crack, passando fome, morrendo, morrendo. Enquanto cada um de nós passa seu quinhão de responsabilidade pro próximo.



Escrito por Aluísio de Paula às 10h48
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CUIDADO COM A ARANHA-MARROM

 

CUIDADO COM A ARANHA-MARROM

 

O verão finalmente chegou. Para os curitibanos esse evento tem quase a mesma importância que a chegada da primavera para os moradores do hemisfério norte. O frio fica mais escasso, que por aqui é sempre possível encarar um invernico a qualquer época do ano, como veranicos no meio do inverno mais rigoroso.

 

Mas junto com o sonhado calor reaparecem inimigos crônicos. Um dos piores é a aranha-marrom. Sua picada é quase indolor, mas pode até matar. É preciso tomar certas medidas: verificar os calçados e roupas antes de vesti-los, checar as roupas de cama e de banho também. Manter a casa e o quintal arrumados (elas adoram bagunça, acúmulo de papéis, tijolos). Remover quadros e objetos pendurados nas paredes com regularidade. Vedar frestas, buracos na parede, assoalhos e forros. Na minha antiga casa, soltei algumas lagartixas. Graças a elas e àqueles cuidados nunca tive problemas com as belas e letais aranhas-marrons.

 

  

Foto da Agência Estadual de Notícias            



Escrito por Aluísio de Paula às 11h48
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LONGA VIDA AO ARTISTA EDSON JORGE!

 

Este é Edson Jorge. Grande compositor, pandeirista (já foi conhecido como "Coringa do Pandeiro"), violonista, cantor e poeta. Além de uma das mais agradáveis criaturas que este planeta já conheceu. Ele já tocou com Carmem Miranda, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga, entre outros mestres da nossa música. Está com um cd maravilhoso pronto, à espera de uma gravadora inteligente para lançá-lo. Ou vai "conquistar o mundo" pela internet mesmo. O disco tem hits instantâneos como "Violinha Desafinada" e "Lansambada Pagode". Edson Jorge tem 85 anos e faz parte da história da música, do rádio, da comunicação brasileira.




Escrito por Editor às 14h43
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A FADINHA DO PAPEL

A menina tem uns 4 ou 5 anos e é linda e brincava de empurrar um carrinho de catar de papel. Na tração, ia o seu pai. Jovem, uns vinte e dois anos, no muito. Ele moreno, ela loirinha. A boa e velha miscigenação deste país maravilhoso.

É legal que passam tempo juntos enquanto o pai trabalha. Alegria que poucos pais "bem-sucedidos" têm. O triste é que ela também está trabalhando. Contentinha, ajuda o pai a juntar as caixas de papelão que têm sorte de encontrar pelo caminho. Estes trabalhadores costumam andar no mínimo 20 km por dia. Quando a menina se cansa, sobe para o carrinho e o motor paterno a puxa com carinho.

A menina me sorri, o pai retribui meu cumprimento quando passo. Gentileza preservada apenas por pessoas de boa índole e de boa educação familiar. Lá vão eles dois, sorrindo sob o dia cinza do quase-verão curitibano.



Escrito por Editor às 11h44
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Maestro Waltel Branco na

feira do livro de Curitiba



Escrito por Editor às 10h49
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Chuvas

A tempestade que cai sobre a cidade parece viva, um animal buscando vingança. O vento parece  querer varrer da face da terra o que lembre a tal "civilização", a chuva, se pudesse submergir com tudo, o faria. Depois vem uma garoa, que molha o dia todo, branda, como um bálsamo.



Escrito por Editor às 17h38
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O jovem Adão

Adão deve ter uns 30, 32 anos. Como seu xará ilustre, ele obviamente não está mais no paraíso. Está sentado na rua XV de Novembro, esquina com a Barão do Rio Branco, tocando violão. Sobre suas pernas, a capa do instumento serve de aparador de moedas. Há três moedas ali, uma de 10 e duas de cinco centavos.
Sua voz afinada canta uma daquelas “dores-de-cotovelo” célebres, “Ainda ontem chorei de saudade”, de Moacyr Franco e que ficou famosa com a dupla João Mineiro e Marciano. Às quatro e vinte da tarde, o trânsito da XV não pára, nem repara em Adão. As pessoas seguem seu caminho aproveitando o que podem da trilha sonora gratuita, ou nem ouvindo.
Paro. Sou fanático por essas obras-primas do “breganejo”. E logo tomo um susto. Olho novamente, não acredito. Quase coço os olhos, como alguns personagens de desenho animado. Adão não tem o antebraço nem metade do braço direito. Se você ainda não o viu, pode pensar, mas então como ele toca?
Isso me faz lembrar de Herbert Vianna e Ronaldinho, naquela campanha publicitária “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Duas celebridades que superaram problemas graves e estão aí alegrando o povão, que anda cada vez mais triste. Admiro o trabalho de Herbert há quase um quarto de século, desde que vi o clipe de “Vital e sua moto” no Fantástico, em 1982. Ronaldinho é uma unanimidade desde aquele gol histórico em cima de Rodolfo Rodriguez, em 1994, quando ele tinha 16 anos e jogava no Cruzeiro.
Dois grandes exemplos de recuperação, força de vontade, garra. O músico e o atleta famosos conseguiram dar a volta por cima graças à medicina, à fisioterapia. Tratamentos caríssimos. Adão superou seu problema com uma prótese artesanal. Uma garrafa plástica, aparentemente de pinga, com o fundo cortado. Na boca, uma palheta, também caseira, presa na tampa. Com essa maravilha ergonômica ele tira do violão notas que eu jamais conseguiria nem com quatro braços.
Respeito e admiro Herbert e Ronaldo, mas admiro mais Adão. Que pega ônibus todo dia e leva música de graça para quem quiser ouvir. Durante os 10 minutos que fiquei ali, muitas moedas mais foram fazer companhia às três iniciais. Adão tocou uma canção de sua própria autoria e me deixou encantado. A lembrança daquele dia deixa este mais doce.



Escrito por Editor às 20h09
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CRACK: A MORTE PEDE PASSAGEM

O crack pode destruir uma pessoa em menos de um ano. Às vezes, em menos de um mês. É a maneira mais rápida de morrer de susto, bala e vício ao mesmo tempo.
É preciso um programa amplo de prevenção ao uso e tratamento para usuários. É uma questão de saúde e de segurança públicas. Os índices de furtos, roubos e assaltos estão intimamente ligados ao aumento do consumo da droga mais perigosa já inventada. O governo tem que tomar medidas imediatamente se quiser conter o avanço desta verdadeira praga.
Atualmente, é comum ver pais de família passarem semanas inteiras fumando crack, sem tomar banho, sem comer, gastando todo o dinheiro e em seguida vendendo tudo que houver em casa. É um inimigo silencioso, sem rosto, que começa a sair dos guetos e dominar as classes mais favorecidas e que precisa ser contido a qualquer custo.
O crack é tão perigoso, tão mortal, que no Rio de Janeiro os próprios traficantes de cocaína proibiram a venda do produto, pois acaba com os clientes em pouco tempo. Se os criminosos pensam no bem-estar das pessoas, ainda que por escusos motivos comercias, devemos esperar uma melhor atitude do Estado.


Escrito por Editor às 15h56
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Passageiras...

O ônibus era o mesmo. Era mesmo? Suas entranhas, bancos e hastes metálicas, permaneciam imutáveis, os ocupantes se revezavam, no entanto. Como atores substitutos, encenavam os mesmos papéis de seus antecessores e eles mesmos seriam substituídos em breve.
As janelas cortavam a paisagem urbana sem piscar. Favelas sucediam casas luxuosas, grandes supermercados e universidades, colégios caros em frente a crianças puxando carrinhos de papel.
Elas entraram. Olor fugaz da adolescência, cada uma nos seus 13, ou 14 anos, usando uniforme da Escola Técnica da Federal. Seriam duas bonecas de porcelana se ficassem caladas durante o trajeto. Mas uma das bonecas tinha um piercing no nariz, daquelas argolas que se usa nos touros, e nenhuma trava na língua.
Pela segunda vez em menos de uma semana, meu coração gelou no peito. O linguajar das meninas parecia saído do script de alguma novela infanto-punk-funk-juvenil. Um misto de gírias de marginais, com expressões globalizadas pela mídia nacional, num tom de reality show, como se houvesse alguma câmera ligada e transmitindo ao vivo para o mundo todo. Um dialeto, donde pessoas um pouco mais velhas e menos “ligadas” (tá ligado?) conseguem pescar pouco: os palavrões, essas palavras que nuca saem de moda.
Um vazio tão grande dentro delas saindo a mil por hora, uma metralhadora de palavras sem o menor sentido. No meu tempo (pensei que nunca usaria essa expressão!), a juventude era mais suave, pensava mais, imitava menos, criava um pouco. Hoje os fazedores da opinião pensam quase 100% pelos jovens, e estes não percebem o quanto são descartáveis, meros consumidores e, pior, produto.
O grande desafio atual é como neutralizar a ação deletéria da indústria cultural sobre as crianças e os jovens. Uma coisa é ficar exposto a cena desagradável de ouvir duas boas meninas falando como bandidas ou meras meretrizes e outra e deixá-las se transformar realmente nisso.


Escrito por Editor às 15h19
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